Imaginemos que estamos no início da segunda metade do século XIX e deixemos que a nossa mente perambule pelas vielas da Santos antiga. Nessa época, nossa cidade tinha uma população de mais ou menos 7.500 habitantes e era praticamente um grande charco, excetuando-se um quadrilátero de aproximadamente 750 mil metros quadrados, incluindo-se os arrabaldes, que se localizava onde é hoje o Centro da Cidade e o Valongo. Esse quadrilátero era delimitado a leste pela Rua da Palha ou Josefina, atual  Constituição, e a oeste pela Rua do Valongo, incorporada depois pela Estação de Trens do Valongo. Ao norte ficava o mar e ao sul a Rua do Rosário, atual João Pessoa.

O povo santista vivia com simplicidade; o homem era responsável pelo sustento da casa e a mulher cuidava da educação dos filhos e do lar.

Em seu livro ‘A Carne’, escrito em 1887, Júlio Ribeiro refere-se a essa gente da seguinte maneira: ‘O povo santista é polido, afável, obsequioso, franco; a riqueza que lhe proporciona o comércio de sua cidade, fá-lo generoso, até pródigo. E tem nervo, tem brio: é o único povo que eu julgo capaz de uma revolução nesta pacata província’.

Como não havia água encanada, as mulheres tinham que procurar um local para a lavagem das roupas, e o mais conhecido pelas lavadeiras era a Pedra da Feiticeira, uma nascente de águas límpidas, que ficava numa trilha que partia da Rua da Palha.

As compras eram feitas nas “Casinhas”, primeiro mercado de Santos destinado à venda de alimentos. Eram pequenos compartimentos que ocupavam, desde 1800, todo um lado de um terreno comprido, localizado entre as vias Setentrional e Meridional, que foram absorvidas pela atual Praça da República.


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Leste - Rua da Palha
(1865)
Oeste Estação do Valongo
(1865)
Norte - Porto
(1865)
Sul - Rua do Rosário
(1865)